sexta-feira, 3 de maio de 2013

Para ter o visto concedido!

O primeiro passo para realizar uma viagem internacional é tirar o seu passaporte e (se o destino exigir) o visto, um documento que permite a entrada de um indivíduo em um determinado país, concedido pela Embaixada ou Consulado do próprio.

Eu já tinha um passaporte desde 2006, mas a validade é de apenas 5 anos e eu tive que tirar outro para viajar nas próximas férias. Eu tinha apenas 12 anos mas lembro que foi uma burocracia absurda, semanas esperando para fazer a entrevista, horas na fila, madrugar para enfrentar o atendimento por ordem de chegada, e também muita incidência de vistos negados...
Desde janeiro de 2012, quando Obama assinou uma ordem para facilitar a concessão de vistos a brasileiros com o objetivo de fortalecer o turismo no país, o processo ficou mais simples. Agora a maioria das etapas são feitas pela internet e com hora marcada, o que nos faz economizar bastante tempo.

Para tirar o passaporte, basta entrar no site da Polícia Federal, preencher o formulário, pagar a GRU no valor de R$ 156,07 e agendar o atendimento no posto escolhido. Não tem muito segredo, apenas coleta de digitais e a foto. Busque o passaporte alguns dias depois.
Atenção, porque para tirá-lo é necessário estar com a situação eleitoral regularizada.

Com o passaporte em mãos, a parte mais difícil é o visto.
O primeiro passo é entrar no site do Consulado Americano e preencher o formulário DS-160 em inglês.

Tem algumas perguntas bem chatinhas, como o endereço exato de onde você vai ficar, inclusive o Zip Code (me pergunto como respondeu essa pergunta quem não tem nenhum parente ou amigo por lá e ainda não sabe em que hotel vai ficar). Achei engraçado que no final tem uma série de perguntas do tipo "Você é traficante? Criminoso? Terrorista? Vai para os Estados Unidos praticar ou incitar prostituição, tráfico de drogas ou humano?" Mas são muuuuitas perguntas desse tipo. Até parece que um terrorista vai responder que sim...

Se você não entende muito bem de inglês, não se preocupe. Têm muitos sites que traduzem e tiram as principais dúvidas do formulário.

Ao terminar o processo, imprima a página de confirmação. Pague a taxa de US$ 160 (valor do visto B2, ou seja, negócios e turismo) e então agende sua entrevista pelo site.
Tenha em mãos a página de confirmação do formulário DS-160 (você vai precisar do código de barras) e o número do passaporte.

Antes da entrevista no Consulado, é preciso passar por uma pré-entrevista no CASV (Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto), que também deve ser agendada pelo site. Ali eles coletarão suas digitais e tirarão a foto (dessa vez para o visto, a foto é diferente da do passaporte). Não se esqueça de levar a confirmação do formulário, o comprovante de pagamento e o(s) passaporte(s) (atual e antigo(s), se houver). Há alguns casos em que a entrevista no Consulado é dispensável, como por exemplo, a renovação de visto que foi tirado com idade superior a 14 anos. Assim, só será necessário ir ao CASV.

No dia de ir ao CASV, eu cheguei e fui atendida prontamente, porque estava lá às 9h, meu horário era 9h30 e eles já estavam chamando até 9h45. Precisei desligar o celular para entrar. Demorou no máximo uns 15 minutos. O que eu mais gostei foi que o coletor de digitais era (dãã) digital e não teve toda aquela meleca de tinta.
Mas a mulher do CASV cometeu um erro. Eu sabia que tinha marcado a entrevista no Consulado Americano no dia seguinte, às 13h. Mas ela me disse (e anotou no meu protocolo, ao lado da confirmação impressa que dizia ser às 13h) que seria às 11h30, e eu achei que havida mudado. Mas não. No dia seguinte eu acordei super cedo, cheguei lá e o cara disse que eu ainda não podia entrar, porque o que valia para o agendamento era o horário impresso, e não o que ela havia anotado. E eu tive que esperar mais de duas horas pela minha vez.

O bom foi que meu pai estava comigo e nós fomos tomar um café num lugarzinho bem gostoso ali na frente, repleto de pessoas ansiosas com a entrevista. Tinha uma mulher com um vestido vermelho contando que havia tido o visto negado anteriormente, mas estava tentando de novo porque queria visitar sua filha que morava nos EUA. As pessoas estavam muito bem vestidas e tinha muita gente bonita.

Meu pai parecia meio receoso no início, porque ele me contava que quando ele foi tirar o visto dele as coisas eram bem mais complicadas Inclusive, uma semana antes ele me fizera adiar a entrevista por alguns dias enquanto juntava mil documentos para facilitar a concessão. Mas eu o tranquilizava, porque achava que com o meu comprovante de matricula da faculdade e passagens de ida e volta compradas, era bem difícil eles negarem minha entrada no país. Entre conversas e cafés, o tempo passou voando.

Chegou a minha vez. No Consulado não é permitida a entrada com chaves, fones de ouvido, pen drive, qualquer objeto cortante, celulares e eletrônicos em geral. Muita gente não sabe disso, por isso o Café oferece um serviço de guarda-volumes (bem carinho por sinal). Deixei minha bolsa com meu pai e estava levando apenas a pastinha com os documentos. Entrei, fiquei numa fila pra passar por um detector de metais, depois em outra fila para ser entrevistada. Foi bem rápido. Os caras que entrevistam são todos embaixadores americanos (muita gente não sabe disso). Eu prestei atenção e não vi nenhum visto ser negado. O cara que me entrevistou perguntou o que eu ia fazer na América, quanto tempo pretendia passar e aonde iria ficar. Perguntou também qual era a profissão dos meus pais, o tempo da minha última visita (inexistente) e me pediu pra ver meu passaporte antigo. Não me pediu nenhum dos documentos que meu pai juntara. Logo, ele carimbou um papel e disse (com sotaque gringo) "visto aprrrovado, boa viagem". Que alívio!

Voltando ao Café eu vi que a mulher de vermelho estava chorando, o visto dela havia sido negado de novo. Fiquei com pena dela, já que foi aparentemente a única pessoa que não conseguiu. Qual será o critério que eles usam?

Vim no carro contando pro meu pai como tinha sido e ele ficou surpreso de não terem pedido nenhum documento! "Antes as coisas eram diferentes, era bem mais difícil, mas eu sabia que você ia conseguir!"

Cá estou eu com as passagens e com o passaporte carimbado!
Posso finalmente começar a traçar o roteiro das minhas férias.

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