sábado, 4 de março de 2017

"Diário de Viagem"

Vista do Castelão, no Vale do Pati

Quando entrei na faculdade de jornalismo, em 2013, queria trabalhar com turismo ou esporte. Acabei me debandando para o esportivo e passei quase três anos nas redações da Gazeta Esportiva e do Diário Lance!. Tanto que este blog - criado com o intuito de registrar impressões das andanças - foi logo abandonado. Das viagens que fiz durante a graduação, pouco ficou registrado. Talvez por preguiça, talvez por falta de tempo, a verdade é que eu lamento por não ter mantido um diário.

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2016 foi um ano bem intenso. Entre me dedicar ao estágio, terminar as últimas matérias da faculdade e produzir o TCC - um documentário sobre o Fernandão -, também não sobrou tempo (ou disposição) para fazer as "minhas coisas". Mal me lembro da última vez que parei para escrever algo que não tivesse um objetivo profissional ou acadêmico. 

Foi exaustivo. Como a maioria dos colegas, terminei o ano rastejando de cansaço. E o alívio de fechar o ciclo se mesclou com o terror da incerteza. Acabou o estágio, a faculdade, o TCC, o time de basquete - todos os pilares que basearam minha vida nos últimos quatro anos. 

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Depois de uma viagem particularmente especial, em 2015, fiz uma grande amiga: Ana Clara. Éramos colegas de faculdade. Ela havia passado o mês de janeiro na Chapada Diamantina, na Bahia, enquanto eu fiquei em São Paulo, trabalhando na Gazeta Esportiva. Eu teria férias no mês seguinte. Debatíamos onde iríamos para o Carnaval. Ela me disse que um amigo dela, de Brasília, iria de carro para Olinda/Recife. Ficaria na casa de um conhecido. O valor da hospedagem? R$ 150 por dez dias. Era só dividir a gasolina. Sem pensar muito, pegamos um ônibus para o Distrito Federal. Fomos nós três, de carro, cortando o Brasil até chegar em Pernambuco. E olha que eu nem gostava tanto de Carnaval. O clima de micareta dos blocos de São Paulo me desanimava, mas topei pela aventura. O que mais me encantou em Olinda é a sensação de tudo ser uma grande brincadeira de rua. Pessoas de todas as idades, fantasiadas, dançando, pelas ruas coloridas. Apresentações de frevo, maracatu, ciranda, enfim, a verdadeira cultura popular brasileira respirando no espaço público. Me encantei.

E não foi só isso. Os caminhos trouxeram muitas vivências. Pessoas diferentes, culturas diferentes. Depois disso, ficamos inseparáveis. Fizemos mais algumas viagens juntas, mas, para mim, elas sempre tinham um tempo reduzido. Em julho daquele ano, nosso "grupo" foi para a Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Só tive quatro dias de folga na redação e fui mesmo assim (sendo que passei quase metade desse tempo no ônibus). Prometi a mim mesma que, quando tivesse a oportunidade, gostaria de fazer uma viagem um pouco mais longa. Depois da formatura seria o ideal. Juntas, começamos a planejar o roteiro: conhecer o Brasil, suas manifestações, paixões e festas populares, e registrar, em foto, vídeo e texto, o que encontrássemos pelo caminho. E também em busca de crescimento pessoal - sair de casa, da nossa cidade, do nosso conforto, sempre muda a gente. 

Porém, veio o Lance!, o TCC, e me vi cada vez mais envolvida com o jornalismo esportivo. Ela, trabalhando como editora do núcleo de revistas da Cásper, também traçou suas próprias metas. Mas a vontade de conhecer (e registrar) a diversidade do nosso País - seja na cultura, na música ou no esporte - ainda nos unia. O contrato acabou, a efetivação não veio, o mercado estava difícil, então juntamos a pouca grana que tínhamos e caímos na estrada. Apesar dos esboços de roteiro, sem saber exatamente por onde ou por quanto tempo. Só queríamos ver (e registrar) a cultura tupiniquim. Nesse intervalo de indefinições, ganhamos um reforço de peso: Lucas Pradino, companheiro, amigo e ator, que veio somar com sua incrível criatividade, experiência em viagens e sede de mundo.

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O roteiro: saí de São Paulo no dia 7 de janeiro, de carro, com destino à Chapada Diamantina. Levamos cinco dias para chegar até Piatã (BA). As paradas: São Thomé das Letras (MG), Belo Horizonte (MG) e Irundiara (BA). Depois, fomos até o Vale do Capão (BA). Então fizemos a trilha do Pati - um lugar inóspito, uma semana de acampamento selvagem, cozinhando em fogueiras, fazendo trilhas com mochilas pesadas nas costas e conhecendo cachoeiras fantásticas (sim, me perguntei constantemente como fui me meter nessa fria). Depois, segui para Salvador (BA), parei nove dias na Praia do Forte (BA) para entender a fundo o Projeto Tamar, e fui subindo o litoral do Nordeste até o Carnaval de Olinda e Recife. De onde escrevo agora. São quase 5 mil km até aqui.

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Por que escrevo tudo isso? Por necessidade. Porque acho que essa experiência (que vejo como um intercâmbio dentro do próprio Brasil) deve ser registrada, já que sempre gostei de diários de viagem e não quero deixar escapar os detalhes do que vivi nesses quase dois meses. Para organizar os pensamentos. Divulgar os projetos. E também para compartilhar as experiências com os amigos que estejam interessados em ouvi-las, ao invés de deixá-las somente nas páginas de um caderno guardado na mala.

PS: Escrevi esse texto de "reestreia" do blog em flashes para conseguir contextualizar tudo.

PS 2: Apesar da vergonha, não vou apagar os textos antigos deste saite, pois meu eu de 18 anos desaprovaria tal atitude. Abraços!

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